Vivemos em uma geração marcada pela sensualidade e pela banalização do corpo. O que antes era considerado pecado, hoje é tratado como liberdade sexual. A cultura contemporânea transforma a imoralidade sexual em entretenimento e o desejo carnal em identidade. Em meio a isso, o cristão é chamado a manter-se santo num mundo que despreza a santidade.
O apóstolo Paulo escreve: “Fugi da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete são fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” (1 Coríntios 6:18).
Essa ordem não é simbólica, mas prática: não se negocia com a tentação sexual — foge-se dela.
Mas como resistir, quando as tentações são tão acessíveis? Como viver em pureza num tempo de estímulos constantes? Esta reflexão busca responder a essas perguntas à luz das Escrituras.
A tentação é universal, mas resistível
Ser tentado não é pecado. Jesus foi tentado em tudo, mas sem pecado (Hebreus 4:15). O pecado surge quando alimentamos o desejo ilícito. John Piper afirma: “A tentação não é o problema; é o coração respondendo à tentação que se torna pecado.” ¹
A santidade, portanto, não é ausência de desejo, mas domínio sobre ele. Luciano Subirá diz: “A santidade não é a ausência de desejo, e sim o domínio sobre o desejo.” ²
A graça de Deus não elimina as vontades humanas, mas concede poder para controlá-las (Tito 2:11–12). Assim, o cristão maduro aprende, pelo Espírito, a dizer “não” ao pecado e “sim” à vontade de Deus.
A tentação começa no coração
Hernandes Dias Lopes ensina que o pecado se origina no pensamento, antes do ato: “O pecado começa no pensamento. O que você alimenta na mente, mais cedo ou mais tarde, vai se materializar na vida.” ³
Jesus afirmou o mesmo princípio: “Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, já cometeu adultério com ela no coração.” (Mateus 5:28)
A batalha, portanto, é mental e espiritual. A pureza é resultado de uma mente renovada pela Palavra (Romanos 12:2). O cristão precisa escolher, todos os dias, o que vai permitir entrar em seu coração — pois o olhar é a porta do desejo.
A força não está em nós, mas em Cristo
A santidade não é resultado de esforço isolado ou de nossa própria força de vontade, mas da dependência da graça de Deus. Não conquistamos a vitória pela força humana, mas pelo poder da presença de Cristo em nossas vidas.
O apóstolo Paulo compreendeu isso profundamente ao ouvir do Senhor: “A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12:9)
Muitos caem porque tentam vencer o pecado, especialmente o sexual, apenas com disciplina, sem uma verdadeira comunhão com o Espírito. A vitória real ocorre quando reconhecemos nossa fraqueza e nos rendemos totalmente a Cristo, confiando em Sua força.
Fuga da tentação, não tente negociar…
José é o maior exemplo de alguém que fugiu da tentação: “Ela o agarrou pelo manto, mas ele deixou o manto nas mãos dela e fugiu.” (Gênesis 39:12)
John Piper afirma que ninguém vence a tentação negociando com ela: “A luta contra o pecado sexual não é travada com conversas, mas com fuga.” ⁵
Hernandes Dias Lopes ecoa a mesma ideia: “Não se vence a tentação flertando com ela. José não explicou seus princípios; ele correu.” ⁶
A fuga é uma atitude espiritual e prática. Isso inclui evitar ambientes, conteúdos e companhias que alimentam a carne, e buscar prestação de contas com irmãos maduros na fé.
A Bíblia diz em Mateus 5:30 “E, se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno” e assim eu te digo que se as tuas redes sociais, a internet te faz pecar, corte-as – não crie historinhas para você mesmo dizendo que você é forte, que você vence e que você domina, se você brincar com fogo são grandes as chances de você se queimar.
Encha-se de Deus, e o pecado perderá espaço
Luciano Subirá ensina que o pecado não se vence apenas pela renúncia, mas pela substituição: “Não basta dizer não ao pecado; é preciso dizer sim à presença de Deus.” ⁷
Quanto mais nos deleitamos no Senhor, menos atraentes se tornam as tentações. John Piper resume essa verdade com uma das frases mais conhecidas de sua teologia: “Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nEle.” ⁸
Quem está cheio do Espírito não tem espaço para os enganos da carne.
A restauração é possível
Mesmo quando alguém cai, a graça de Deus continua disponível. Hernandes Dias Lopes lembra: “O pecado pode manchar o nome, mas o arrependimento restaura o caráter.” ⁹
O apóstolo João nos assegura: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:9)
Deus não cancela Seus filhos; Ele os corrige, transforma e restaura. A pureza não é apenas um ponto de partida, mas um caminho de reconciliação contínua com Cristo.
Lidar com as tentações sexuais é uma das batalhas mais intensas da vida cristã. O mundo chama de liberdade o que, na verdade, é escravidão. Mas Cristo nos chamou para viver livres — livres do pecado, livres da culpa e livres para amar com pureza.
Quando Jesus é nosso maior prazer, as demais tentações perdem o brilho. Como afirma Piper, “a satisfação em Deus é o antídoto para o pecado”.
A santidade não é um fardo; é o caminho da verdadeira liberdade. E o mesmo Deus que nos chama à pureza é aquele que nos dá poder para vivê-la.
Se você vem lutando contra a impureza sexual, a pornografia ou problemas em seu casamento, não deixe de procurar ajuda. Busque apoio na liderança de sua igreja, conselheiros idôneos. Se quiser pode enviar uma mensagem para moisestrindadeadv@gmail.com.br que terei um grande prazer de responder e orar por você.
MOISÉS TRINDADE
1. John Piper, Battling the Unbelief of Lust, Desiring God Ministries, 2001.
2. Luciano Subirá, Sermão “Santidade – O Domínio do Desejo”, Igreja Orvalho.Com, Curitiba, PR, 2018.
3. Hernandes Dias Lopes, Post “A Santidade do Sexo”, Facebook Oficial, 2020.
5. John Piper, Battling the Unbelief of Lust, Desiring God, 2001.
6. Hernandes Dias Lopes, Sermão “Fuja das Tentações”, Igreja Presbiteriana de Pinheiros, 2022.
7. Luciano Subirá, Mensagem “Substituição Espiritual – Encha-se de Deus”, Orvalho.Com, 2019.
8. John Piper, Desiring God: Meditations of a Christian Hedonist, Multnomah Books, 2003.
9. Hernandes Dias Lopes, Série “Graça Restauradora”, IPB Pinheiros, 2021.
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