
O casamento raramente esfria de uma hora para outra. O que antes era conversa demorada vai se tornando resposta apressada. O abraço perde espaço para as preocupações, o carinho é adiado e, sem perceber, duas pessoas que prometeram caminhar juntas começam a viver apenas dividindo responsabilidades.
Em Apocalipse 2.4-5, Jesus repreende a igreja de Éfeso por ter abandonado o primeiro amor. O chamado é profundo: lembrar de onde caiu, arrepender-se e voltar às primeiras obras. Embora o texto trate originalmente da relação da igreja com Cristo, seu princípio oferece uma reflexão preciosa ao casamento. O amor precisa continuar sendo cultivado, mesmo depois que a novidade passa.
Cantares 2.15 apresenta uma imagem delicada e poderosa: as pequenas raposas que estragam as vinhas em flor. Na vida conjugal, elas podem aparecer como ironias frequentes, impaciência, silêncio prolongado, distrações constantes e ressentimentos que ninguém se dispõe a resolver. Parecem detalhes, mas encontram espaço justamente onde o cuidado foi negligenciado.
John Piper, em This Momentary Marriage (Crossway), recorda que o casamento existe para tornar visível a fidelidade de Cristo à sua igreja. Por isso, a aliança precisa ser maior que o humor do dia. Malaquias 2.14 chama a esposa de “mulher da tua aliança”. O compromisso não apaga os sentimentos, mas oferece chão firme quando eles oscilam. Hernandes Dias Lopes também enfatiza, em sua abordagem bíblica da família, um amor que se traduz em atitudes concretas.
Efésios 5.25-33 apresenta Cristo como referência para o amor conjugal. O marido é chamado a amar com entrega e responsabilidade, enquanto a união é descrita em termos de cuidado, respeito e profunda comunhão. O texto não autoriza domínio, humilhação ou violência. O exemplo de Cristo exige um amor que protege a dignidade do outro.
Há uma diferença entre permanecer casado e continuar construindo o casamento. É possível cumprir compromissos financeiros, administrar a casa e preservar uma aparência de estabilidade enquanto a intimidade desaparece. O pacto precisa de presença. Precisa de escuta, perdão, oração e disposição para recomeçar conversas que ficaram pelo caminho.
O pastor Márcio Tunala, em reflexões publicadas em seu blog, chama atenção para uma expectativa perigosa: colocar o cônjuge no lugar que pertence a Deus. Quando se exige do outro aquilo que só Cristo pode oferecer, até uma distância passageira pode parecer insuportável. Sua abordagem também convida a não confundir crise com sentença definitiva. Há relacionamentos que precisam de ajuda, arrependimento e mudanças reais. Lutar pela restauração não significa tolerar violência ou permanecer sem proteção, mas reconhecer que, onde há segurança e disposição de ambos, uma crise pode abrir caminho para um novo começo.
Voltar ao primeiro amor não significa reproduzir o entusiasmo dos primeiros encontros. Significa recuperar a intenção de amar. Talvez comece com um pedido sincero de perdão, uma conversa sem celular ou a decisão de tratar com ternura alguém que a rotina tornou excessivamente familiar.
O pacto continua vivo quando marido e mulher deixam de esperar que o amor se renove sozinho e assumem, diante de Deus, a responsabilidade de cuidar dele.
As pequenas escolhas de hoje estão preparando o casamento que viveremos amanhã.
Se você precisa de ajuda em teu casamento, busque orientação e aconselhamento com base em princípios cristãos. Se desejar, me envie uma mensagem através do e-mail moisestrindadeadv@gmail.com que terei prazer em orar e aconselhar você.
Que Deus abençoe teu lar, tua família e teu relacionamento conjugal.
MOISÉS TRINDADE
Casado com a Lucianne Trindade; Formado em Teologia; Pós Graduado em Direito; Licenciado em Sociologia; Empresário; Business Coaching; Palestrante e facilitador do Curso Aliança da Universidade da Família – UDF
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